Archive for Março, 2008

pessoa transgenero mantem função reprodutora e pode exercer a sua função parental adequadamente!

Urologia e Ginecologia no Top 10 das especialidades com maior lista de espera

A saúde sexual e reprodutiva de mulheres e homens portugueses não podia ficar de fora das listas de espera (urologia e ginecologia no top 10 das especialidades responsáveis por 80% das listas de espera). A desigualdade na saúde: as mulheres para além de esperarem nas filas de casa de banho, esperam também para irem ao ginecologista e os homens perdem, porque as médicas-urologistas contam-se pelos dedos das mãos no nosso país - as senhoras não querem observar medicamente os pénis deles e eles talvez não queiram ser observados por elas nas suas partes íntimas.

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Sem comentários…

Enfermeiras de clínica espanhola perdem prémio de produtividade se não usarem mini-saia

26.03.2008 - 15h24

Romana Borja-Santos

Não usar uma mini-saia no trabalho pode significar menos dinheiro no fim do mês. Esta é pelo menos a ideia da clínica espanhola San Rafael, em Cádis, que retirou a dez recepcionistas e enfermeiras o seu prémio de produtividade, por não usarem a saia curta que faz parte do uniforme obrigatório, escreve o diário espanhol “El País” na sua edição online.

As mulheres recusaram o traje estipulado, que além de deixar as pernas descobertas obriga ao uso de um avental justo e pouco prático. Assim, no fim do mês receberam menos 30 euros, o preço por andarem com os tradicionais fatos de saúde.

As funcionárias sentem que a decisão, mais do que injusta do ponto de vista económico, vai contra a lei da igualdade. “Sentimo-nos objectos decorativos. Quando estamos a trabalhar não temos liberdade de movimentos e não nos podemos baixar para atender doentes que estão acamados. Temos que expor o nosso corpo para fazermos o nosso trabalho”, explicou Adela Sastre, presidente do comité da empresa.

O gerente da clínica, que pertence ao grupo Pascual, desafiou os trabalhares a levarem o caso aos tribunais. José Manuel Pascual diz que a medida é justa e apenas surge na sequência do incumprimento da normativa de vestuário. O código aplica-se a outros centros de saúde do grupo onde, contudo, ainda não houve queixas.

Novidades do Conselho da Europa

O Conselho Europeu adoptou na semana passada um novo texto em que recomenda aos Estados-membro da UE a aplicação de medidas para combater o aborto clandestino. Transcrevemos aqui um pequeno excerto:

The Parliamentary Assembly should therefore invite the member states of the Council of Europe to:
– decriminalise abortion, if they have not already done so;
– guarantee women’s effective exercise of their right to abortion and lift restrictions which hinder, de
jure or de facto, access to safe abortion;
– adopt appropriate sexual and reproductive health strategies, including access of women and men to
contraception at a reasonable cost and of a suitable nature for them as well as compulsory
relationships and sex education for young people.

O texto completo pode ser lido

Novo Código à vista (II)…

Assim de corrida, Bruno, vou e passo para aqui só mais dois ou três pontos sobre o “sumo” da notícia.

A colagem da necessidade de alterar o CD ao aborto e à eutanásia é falsa. Na verdade ela não é recente e não se prende apenas com o aborto e a eutanásia, basta pensar na procriação medicamente assistida ou na esterilização reversível.

Definir um código de conduta médica, e justificar a sua existência, apenas como um instrumento protector do doente é demagógico. De resto, como se pode comprovar no , o CD dos médicos portugueses está dividido em seis grandes capítulos e as suas disposições abrangem a relação do médico com o doente, com a comunidade, com os outros médicos e com terceiros.

Discutir a eutanásia por oposição aos cuidados paliativos é perverso, sobretudo quando se trata do bastonário da OM (Pedro Nunes não estava a falar em nome pessoal) e se deixam nas entrelinhas algumas insinuações pouco razoáveis, nomeadamente a ignorância dos clínicos face aos cuidados paliativos ou o primado das razões económicas na defesa da eutanásia.

Reduzir os cuidados paliativos à analgesia é errado e grave. Caso interesse, cf. :

Palliative care is an approach that improves the quality of life of patients and their families facing the problem associated with life-threatening illness, through the prevention and relief of suffering by means of early identification and impeccable assessment and treatment of pain and other problems, physical, psychosocial and spiritual. Palliative care provides relief from pain and other distressing symptoms; affirms life and regards dying as a normal process; intends neither to hasten or postpone death; integrates the psychological and spiritual aspects of patient care; offers a support system to help patients live as actively as possible until death; offers a support system to help the family cope during the patients illness and in their own bereavement; uses a team approach to address the needs of patients and their families, including bereavement counselling, if indicated; will enhance quality of life, and may also positively influence the course of illness; is applicable early in the course of illness, in conjunction with other therapies that are intended to prolong life, such as chemotherapy or radiation therapy, and includes those investigations needed to better understand and manage distressing clinical complications.

Novo Código à vista…

O recém re-eleito Bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, deu este fim-de-semana uma entrevista à Agência Lusa, tendo-se debruçado sobre a problemática da Eutanásia. Desta entrevista ficamos a conhecer dois pormenores importantes:

1 - A Ordem está a rever o actual Código Deontológico e apresentará em breve um novo texto;

2 - O Bastonário rejeita, liminarmente, qualquer alteração do Código ou da lei no sentido de abrir a possibilidade à legalização de qualquer forma de Eutanásia;

No 1º ponto, o Bastonário reconhece que o novo texto da Deontologia médica Portuguesa deverá traduzir a modernidade da sociedade, embora admita que este “poderá dizer o mesmo”, embora “de uma forma diferente”. Não entendemos a mensagem do Bastonário, mas pelas suas palavras poder-se-á pensar que o que está a ser preparado para o Código é uma operação de estética, mantendo a condenação da prática da IVG a todos os médicos. Se assim o é, qual o sentido desta revisão do texto? Até quando vamos continuar a perpetuar na classe médica o conservadorismo e a alienação daquilo que é hoje o sentido de cidadania expresso na nova lei do aborto? A medicina não é exclusiva dos médicos, mas sim um instrumento da sociedade para melhorar a sua qualidade de vida. Por isto, os Médicos Pela Escolha têm defendido a revisão do Código desde a alteração da lei do aborto e estão para isso a recolher assinaturas entre os profissionais de saúde, para que o artigo 47º passe a estar de acordo com a lei da república.

No 2º ponto, ficamos a conhecer as posições do Bastonário (leia-se Bastonário e não “todos os médicos”). Este começa por dizer que “se um dia o país aceitar a eutanásia, a ordem não poderá punir um médico por matar um doente”. Muito nos espanta o desconhecimento sobre os procedimentos da Eutanásia de Pedro Nunes, pois só uma profunda ignorância sobre o que está em causa pode justificar que o Bastonário ache que eutanásia é um médico poder matar alguém. Depois este afirma que “se forem disponibilizados aos doentes todos os apoios em termos de cuidados paliativos, a dor deixa de existir”. Infelizmente Pedro Nunes ainda não percebeu que a dor não é só um fenómeno físico e que há sofrimentos que não são solúveis com medicação. Também ainda não percebeu que a discussão em torno da Eutanásia, é mais um debate social sobre o direito à escolha livre, consentida e informada e não um debate entre médicos sobre princípios éticos. Aliás, princípios éticos cuja decisão de os inscrever num Código Deontológico está restrita a apenas um pequeno grupo de uma dúzia e não é resultado de um debate profundo que atravesse toda a classe médica.

notícia retirada do (22-03-08)

Um Amanhecer Mais Livre

O dia 12 de Fevereiro de 2007 amanheceu mais livre para todos os portugueses.

Há um ano as mulheres recorriam às urgências dos hospitais com abortos incompletos, feitos clandestinamente. Por medo da lei, da família ou até dos profissionais de saúde, faziam o aborto “naquele sítio” ou com “aqueles comprimidos”. Nos serviços de saúde recebiam apoio médico, o sigilo médico era respeitado, mas não havia acompanhamento, raras vezes havia um diálogo aberto e o seguimento para uma consulta de planeamento familiar nem sempre era feito. O facto de o aborto ser um tabu médico, expresso ainda no seu antiquado Código Deontológico, levou a que esta situação fosse tolerada pela maior parte dos profissionais de saúde. As mulheres foram as principais perdedoras porque, durante décadas, não foram devidamente acompanhadas.

Não se resolve a questão do aborto com propaganda pseudo-científica, destinada a manipular as mulheres portuguesas. Um ano depois, em muitos artigos de opinião volta-se a falar de “síndrome pós-aborto” um diagnóstico inexistente, que serve apenas propósitos políticos. Na campanha do referendo propusemo-nos desconstruir estes falsos argumentos e continuaremos a fazê-lo. Fazer um aborto sem acompanhamento médico, pondo em risco a sua saúde, sob o signo da criminalidade, esse sim, deixa certamente marcas para toda a vida.

As mulheres que fazem hoje uma I.V.G. legal sabem que serão acompanhadas, respeitadas e que tudo será feito para que sejam minimizados os efeitos do momento difícil pelo qual estão a passar. Mas sabem, sobretudo, que não cometem um crime, o que para a sua estabilidade psicológica é muito importante. As informações científicas falsas só aumentam o medo, a ignorância e estimulam o recurso ao aborto clandestino.

Qualquer profissional de saúde que tenha visto uma mulher vítima de um aborto clandestino incompleto com sequelas graves sabe que esta é uma situação humilhante, ignóbil e que nenhuma mulher deveria vivenciar. O aborto clandestino ainda existe. Esta luta ainda não está terminada. Mas, um ano depois, não podemos deixar de nos congratular por as mulheres portuguesas estarem mais próximas dos cuidados de saúde. De Norte a Sul do país, passando pelas ilhas, os profissionais de saúde – médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, auxiliares – mobilizaram-se para permitir que esta nova lei fosse posta em prática, convictos de que este é um direito ganho pelas mulheres. É de louvar o rápido esforço de reorganização que foi feito pelos serviços de saúde e, principalmente, a extraordinária motivação dos profissionais de saúde (que muitas vezes tiveram de ultrapassar preconceitos no seu local de trabalho) disponibilizando-se, sem ganhar nada em troca, de modo a assimilar esta nova realidade.

Hoje, na minha prática clínica, quando encontro uma mulher que manifesta o desejo de interromper uma gravidez dentro do prazo legal, tenho o dever de a informar de todas as opções que possui, que independentemente da sua decisão será acompanhada por profissionais e que nenhum profissional de saúde as pode julgar.

É imprescindível que todas as mulheres portuguesas compreendam que conquistaram um direito. Ao dizer isto, não faço a apologia do aborto. Faço sim a apologia da escolha, de uma escolha informada e consciente.

No dia 12 de Fevereiro de 2007 e, agora um ano depois, acordámos todos – profissionais de saúde e utentes – com a certeza que o nosso país é mais humano e, acima de tudo, mais livre.

Vasco Freire, Médico

 

Presidente da Associação Médicos Pela Escolha

NEW RESEARCH FINDS EQUAL LEVEL OF COMMITMENT AND RELATIONSHIP SATISFACTION AMONG SAME-SEX AND HETEROSEXUAL COUPLES

STUDY: Adult Romantic Relationships as Contexts of Human Development: A Multimethod Comparison of Same-Sex Couples with Opposite-Sex Dating, Engaged, and Married Dyads,” Glenn I. Roisman, PhD, Eric Clausell, MA, Ashley Holland, MA, Keren Fortuna, MA, and Chryle Elieff, PhD, University of Illinois at Urbana-Champaign; Developmental Psychology, Vol. 44, No. 1.

WASHINGTON – Same-sex couples are just as committed in their romantic relationships as heterosexual couples, say researchers who have studied the quality of adult relationships and healthy development. Their finding disputes the stereotype that couples in same-sex relationships are not as committed as their heterosexual counterparts and are therefore not as psychologically healthy.

These results are from two studies featured in the January issue of Developmental Psychology, published by the American Psychological Association. This issue includes a special section that examines sexual orientation across the lifespan.

Both studies compared same-sex couples with opposite-sex couples on a number of developmental and relationship factors. The first study examined whether committed same-sex couples differ from engaged and married opposite-sex couples in how well they interacted and how satisfied they were with their partners. Evidence has shown that positive interactions improve the quality of relationships in ways that foster healthy adult development.

Researchers from the University of Illinois at Urbana-Champaign compared 30 committed gay male and 30 committed lesbian couples with 50 engaged heterosexual couples and 40 older married heterosexual couples, as well as with dating heterosexual couples. All the partners responded to a questionnaire that documented how positively they interacted with one another on a day to day basis. The couples were also observed during a laboratory task and were monitored for distress by skin conductance and heart rate.

Results showed that same-sex relationships were similar to those of opposite-sex couples in many ways. All had positive views of their relationships but those in the more committed relationships (gay and straight) resolved conflict better than the heterosexual dating couples. And lesbian couples worked together especially harmoniously during the laboratory tasks.

This was the first study to follow same-sex couples in legalized unions over a period of time. This type of design allows the researchers to monitor changes in the relationships and compare them with changes experienced by both same-sex couples not in civil unions and heterosexual couples. All the couples were comparable with respect to race/ethnicity and age at the time of the study.